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Complicação de Bolsonaro é comum, mas pode estender internação, dizem especialistas

SÃO PAULO – O quadro de náusea e vômito pelo qual o presidente Jair Bolsonaro passou no sábado é comum após cirurgias semelhantes a que ele foi submetido na semana passada, mas pode acarretar no aumento do tempo de internação do paciente e, em alguns casos, exigir nova operação, afirmaram especialistas consultados pelo GLOBO. Ele está em recuperação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e precisou começar a usar uma sonda nasogástrica após o mal-estar.

O quadro de Bolsonaro foi ocasionado pela diminuição ou paralisão das movimentações do intestino delgado. Em termos técnicos, a ocorrência é chamada de “íleo paralítico”. Por causa desse processo, líquidos e secreções ficaram acumulados na cavidade estomacal. Mesmo em jejum, o organismo continua a produzir essas substâncias relacionadas à digestão. O acúmulo dessas substâncias no estômago causa enjoos e distenção abdominal:

—  Essa foi a resposta do organismo a uma cirurgia longa e em que houve muita manipulação —  afirma a médica Elaine Moreira, da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Na última segunda-feira, Bolsonaro passou por uma cirurgia para retirada da bolsa de colostomia e para religação do intestino delgado ao grosso. Durante operações desse gênero, os movimentos do intestino delgado cessam, e tendem a retornar em 24h ou 48h. E só então que o paciente pode abandonar o jejum e passar a consumir dieta líquida.

No caso de Bolsonaro, os movimentos instestinais tornaram a cessar cinco dias após o procedimento.

—  É uma evolução desfavorável, mas de baixa mortalidade desde que o paciente receba cuidados precoces. Para alguns pacientes, pode ser bastante doloroso. Se essas substâncias não forem drenadas com uma sonda, podem romper as suturas feitas durante a operação — explica Elaine, se referindo às “costuras” usadas para religar os intestinos grosso e delgado. No caso de Bolsonaro, a drenagem é feita com uma sonda que vai do nariz ao estômago.

Segundo  Eduardo Grecco, cirurgião do aparelho digestivo e professor da Faculdade de Medicina do ABC, os médicos de Bolsonaro devem passar os próximos dias observando se o intestino do presidente retoma suas atividades habituais. Nesse meio tempo, Bolsonaro deve se manter em jejum e receber solução intravenosa para reequilibrar a presença de elementos como sódio e potássio no organismo. É uma situação semelhante àquela imediatamente após a operação de segunda-feira:

—  Para todos os efeitos, é como se a recuperação do presidente tivesse retornado à estaca zero — diz o professor. 

Segundo ele, em casos assim, é comum que o paciente continue internado por mais sete ou dez dias. Nesse período, os médicos observam se as atividades do intestino foram retomadas e, aos poucos, reintroduzem a dieta oral. Devem ser feitos exames tomográficos, para verificar se não há obstruções do trânsito intestinal. Se os movimentos não retomarem, ou se for constatada obstrução, o quadro pode exigir nova cirurgia:

—  E aí o tempo de internação pode subir para 15 dias —  afirma Grecco.

Segundo a assessoria da Presidência da República, Bolsonaro acordou se sentindo bem neste domingo e já não relata enjoo ou náuseas.

 

Dra. Elaine Moreira

Médica especialista em gastroenterologia.
Pós-graduada em Medicina Integrativa, Hospital Israelita Albert Einstein
Coordenadora do MIPRA e Membro da Comissão FBG Mulher

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